
“Pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo massagista do clube”
Que os massagistas carregam consigo o poder sagrado das benzedeiras, isso todo mundo sabe. Afinal de contas, só eles conseguem recuperar, com spray e água benta, um jogador que sai de campo pronto para receber a extrema unção. Mas um certo José Miguel Rodas Jaramillo conseguiu fazer mais do que curar frescura de atleta e se tornou o personagem mais importante da atual Libertadores, mostrando que no futebol só vence quem tem vontade. Isso, na semana em que os clubes brasileiros fizeram praticamente o contrário.
Massagista do Once Caldas, Miguel Rodas invadiu o gramado da Arena do Jacaré com o jogo em andamento na última quarta-feira. Segundos antes, Cuca, treinador do Cruzeiro, havia tentado acertar um cotovelaço em Rentería – espantoso que seu braço não tenha secado até agora.
O árbitro paraguaio Antônio Arias deixou o jogo seguir, mas lá estava o massagista colombiano impedindo o prosseguimento da partida, que naquelas alturas já estava 2 a 0 para o Once Caldas. A desculpa oficial era atender Rentería, mas a confusão armada colaborou para o devido amorcegamento da contenda, que por fim terminou favorável aos colombianos.
Pros lados de Manizales, Miguel Rodas está sendo chamado de “o massagista do jogo limpo”. Em 2008, durante um jogo entre o Once Caldas e o Júnior de Barranquilla pelo campeonato nacional, Rodas já havia protagonizado um lance lindo e igualmente estratégico para os brancos.
O bochincho estava armado dentro das quatro linhas. Poucos minutos separavam a partida do seu final quando uma falta violenta quase resulta em batalha campal. Mas nenhuma agressão foi registrada porque, da casamata, o massagista-herói sacou um pañuelo branco pedindo paz. A atitude desarmou os jogadores e a partida terminou 2 a 1 para o Once Caldas. Miguel Rodas recebeu uma placa de reconhecimento pelo seu exemplo como desportista.
Na semana em que os times brasileiros, recheados de pechos fríos com gordos salários, tropeçaram na própria arrogância e viram o futebol maloqueiro da América do Sul avançar com a faca entre os dentes, o massagista Miguel Rodas mostrou exatamente como se deve fazer para ganhar uma competição como a Libertadores. Não estamos falando de avacalhar com os jogos, mas compreender minimamente o significado que o futebol tem para aqueles que estão do lado de fora do campo.
Venceremos,
Daniel Cassol


preza
Cara, na quarta já tinha chorado demais. Ao lado de Tiburón Willie, é a personalidade mais influente do futebol sul-americano na atualidade.
Ele correndo em direção à bola DENTRO DO CAMPO enquanto o Renteria tava FORA DO CAMPO me fez repensar toda minha vida como desportista (ns).
Lindo demais tudo isso.
Tem um repórter ali que parece o filho adotado do Mike Tyson com o B.A do Esquadrão Classe A.
bah, demais
Uma estátua para Miguel Rodas, seria pedir demais?
O jogo terminou 2 a 0 para o poderoso Once Caldas, e não 2 a 1. Quem viu o jogo percebeu que seria impossível do Cruzeiro anotar um tento sequer. Favor corrigir.
Bruno, não foi este jogo. Leia de novo. Cassol deve ser lido com a mesma atenção dispensada a Machado de Assis.
uhasuds
Cassol parabéns, todos nós necessitamos de panos brancos. Importante é saber a hora certa.
SANTO deus.
Casava fácil com a moça ali de trás.
Excelente texto, pero ês precisso hacer un pequenho reparo a la citación. El penal no ês importan. Falcón, el major comentênico de los planetas conoscidos sabe esso. Garantiô el que no habia entrenado penales antes del Grenal del segundo turno, puês ¿de que adelanta uno entrenar suelo, sin la pressión, sin el temor de errar, sin la hintchada a osservalo? Perfecto. Cacalo, de Grêmio, piensa ló mismo, e invoca la derrota em los penales para Ajax como prueba sôlida y cabal de su argumiento. Definitivo.
Lo mismo se passa en otras professiones. Equilibristas e acrôbatas, por erremplo. Em lós anhos 60, jo tênia um circo. Um cirquito tchico, em verdá, pero bien bueno. El respectable público acorria a las dessenas, siempre que jegávamos a un nuevo pueblito. Habia pajaços, equilibristas, márricos, domadores de fieras, murrer barbada, todo lo que a las personas más les gustava. Jegô a ser amplamiente conoscido por “el circo de los pajaços paraplêrricos”, en rasson de un número muy engraçado que hacíamos.
Pero luego que comprê el circo, deime cuenta que los acrôbatas e equilibristas teimavan en entrenar sus números. Los jamê e dirro ¿de que adelanta esso? Entrenam con redes, sin lo rufar de los taroles, sin lo orrar apreensivo del público, sin el miedo de murrir. Pero en la hora del espectáculo, las condiciones mudan completamiente, y todo esso entranamiento de nada vale. Els se orraran e compreenderan la verdá: estaban perdiendo tempo. Cuerda bamba ês loteria, no más.
Nuestro número de trapêssio era lo mas aguardado por el público. Pocas vezes terminava sin un accidente grave, lo que hacia la delicia de la platêia. Los acrôbatas lastimados eran tratados nel circo mismo, donde recebian un penso improvissado con tábuas de madera e tiras de lona vierra. Los que se quedavan paralíticos tampoco eran abandonados – passavan a actuar como pipoqueros, bijeteros e atê como pajaços. Pero no como domadores, puês la paralissia les sacava un tanto de la agilidá, y los primeros que lo tentaran acabaran, desafortunadamiente, comidos. Ah, eran buenos tiempos aquejos…
Vedes vôs que essos conceptos sicolôrricos elementares del entrenamiento físsico já eran conoscidos hace quassi cincoenta anhos, pero todavia hoy hay rente que imarrina ser importante entrenar penales. La idiotia humana no tiene mismo limites.
cecco percebeu a cruza do mike tyson, mas nao a deusa morena do fundo.
Aliás, nao parece que el masagista está com um crachá da BAND?
# 11
Eu só sei que o logo da Televisa mexicana é idêntico ao da emissora dos Saad:
http://4.bp.blogspot.com/_hm5nDbd8YDw/S8pHT1nD_cI/AAAAAAAABmw/bNSZvBN1DjE/s1600/televisa.jpg
Será isso?
Belo texto Cassol! saudações
LANCE MAIS IMPORTANTE da LA11. Resgate do verdadeiro futebol. Maravilha. Valeu a semana.
Sempre penso como seria o mundo de hoje se no GREMIOCÍDIO de 2002 algum bunda-mole da nossa casamata tivesse invadido o campo quando o FDP mandou voltar o pênalti pela primeira vez.
Até hoje pagamos por aquela omissão.
#9 , eu também logo que bati o olho na foto pensei a mesma coisa, será que é uma colombiana? sensacional a muchacha