
Dizem que o personagem mítico nasceu na floresta amazônica, mas lá para as bandas da Colômbia. Costumava usar um gorro vermelho, andar em uma perna só e guardar um cachimbo em local insalubre (agora está usando outros disfarces). Suas aparições ocorrem perto da meia-noite, em jogos de Libertadores.
Defensores mais distraídos caem feito crianças nas estripulias do moleque negro e esguio: no momento em que menos se espera, apronta um chapéu no zagueiro, um arremate em que a bola escorre cuidadosamente por toda a canela, só para enganar o goleiro.
Ontem, ele aprontou de novo, logo aos três minutos de jogo. Quem atacava era o time adversário, o San Luis, do México. Mas a bola rebatida sobrou para Dayro Moreno que lançou de primeira, com a parte de fora do pé, uma bola enforcada, que era para ficar tranquila para o zagueiro. Era.
O saci colombiano surgiu por detrás, invisível. Esperou que a pelota desse um rodopio a mais, obra de feitiçaria, e ficasse à feição para ele. Com dois toques curtos na bola, saiu da intermediária de ataque e se aproximou da pequena área. Um terceiro toque foi simulado para que o goleiro se atirasse para a bola. Aí sim, depois que o arqueiro começou a cair, deu um toque de leve, por baixo dos braços do pobre coitado.
Wason Rentería está de volta à Copa Libertadores. Está de volta ao seu habitat natural. É nos campos acanhados da América que ele sabe fazer gols e é feliz. Ele já andava meio acabrunhado quando saiu do Inter, é verdade. Mas as tundras gélidas da Europa certamente não fizeram bem para o rapaz.
Depois de abrir o placar ontem à noite, não teve cachimbo, nem ruque-raque. Rentería sequer sorriu. Ficou fazendo um banal coraçãozinho com as mãos, para alguma china. Mas a verdade é que, de volta à Colômbia, Rentería dá sinais de que voltará a ser aquele do Internacional. O debut foi no final de semana, contra o Real Cartagena. Rentería saiu do banco, do jeito que ele gosta, para marcar dois gols. Ontem, já deixou mais um, apesar de ter tido péssima atuação no restante do jogo.
A causa para a má atuação sabemos bem: o anjo dos gols espíritas tem que ficar alongando os gambitos atrás da goleira, até ver o sinal do auxiliar técnico. Aí, ele precisa fazer uma cara de bobo e perguntar “é comigo?”. Ao ver o sinal de positivo, sair correndo faceiro para o meio do campo.
Depois, a plateia sabe que é só aguardar o gol salvador. A curiosidade é grande, no entanto: vai ser encobrindo o goleiro com um chute “jornada nas estrelas”? Vai ser aos 42 do segundo tempo, batendo na bola do jeito mais esquisito possível? E aí ele vai dançar o ruque-raque, evocando todos os deuses africanos e vai inventar uma homenagem ao clube que defende.
Mas a torcida estará também temerosa, sabe que algo pode botar tudo a perder. O magnetismo que Rentería provoca nos árbitros se mantém intacto, inclusive. Na partida de ontem, ele conseguiu levar um cartão amarelo depois de ser chutado no chão por dois jogadores do San Luis. Aí é hora de acionar as autoridades. O Ibama? A Funai? A UNESCO? Rentería é patrimônio cultural e uma espécie em extinção nas grandes áreas verdes da América. Alguém salve o saci!
O grupo
Apesar da volta triunfal de Rentería à Libertadores, o Once Caldas sofre o empate em um péssimo jogo contra o San Luis, no México. As duas equipes estão com a situação complicada no grupo. Os colombianos estão na terceira posição com dois pontos. Os mexicanos na quarta, com um ponto.
Para piorar, estão com um jogo a mais. Libertad (2º, 4 pts) e Universidad San Martin (1º, 6 pts) se enfrentam na terça-feira que vem, fechando o primeiro turno do grupo. Como se não bastasse, paraguaios e peruanos terão dois jogos em casa no segundo turno, colombianos e mexicanos, um só.
San Luis e Once Caldas têm dois bons times no papel. Seu insucesso se explica porque têm levado a sério a difusão da cultura nacional de seus países. Os dois times mostram um inequívoco talento para a falta de objetividade.
É uma profusão de meias de grandes melenas e canelas finas, que passam o jogo inteiro sassaricando para os lados com a bola: Moreno, no Once Caldas, e Cuevas, no San Luis. Quando a gorducha finalmente chega aos atacantes, a capacidade de errar gols é flagrante. Ontem, por exemplo, os atacantes do San Luis perderam dois gols de cabeça debaixo das traves.
Libertad e Universidad San Martin, por sua vez, mostram defesas mais sólidas e capacidade muito maior para matar o jogo. Devem nadar de braçadas no Grupo 1.
Numa perna só,
Felipe Prestes



“San Luis e Once Caldas têm dois bons times no papel. Seu insucesso se explica porque têm levado a sério a difusão da cultura nacional de seus países. Os dois times mostram um inequívoco talento para a falta de objetividade.”
Estou há uns 5 minutos rindo sem parar deste parágrafo.
É uma profusão de meias de grandes melenas e canelas finas
Qquer semelhança com o autor do texto é mera coincidência… huashuashuas
E que saudade de jogadores como Rentería e Perdigão… os caras transpiravam fubangagem!
ídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídoloídolovouler o texto agora
#2 AHUAHUAHUAHAUHAU
mto certo
No outro post, coloquei um vídeo do Dadá Maravilha pagando um mico ao se vestir de coelho por ter perdido a aposta que o Atlético venceria o América. Agora me dei conta, que pelo “folclore”, o Renteria é um “filho” do Dadá.
Rentería forever!
“E que saudade de jogadores como Rentería e Perdigão… os caras transpiravam fubangagem!”
[2]
Ídolo, Mestre… escolham o adjetivo, o Saci é mesmo demais.
e um post sobre o CASTILLO no COLO COLO?
renteria é o currador que chega tarde na suruba, mas já entra de pau duro, quack
Mata-mata da Libertadores MERECE Rentería!
fracaso en europa…parar en 11 caldas es lo peor que te puede pasar..
Seja bem vindo Wason Renteria, em Santos este mistico jogador colombiano encontrara muita alegria, vestindo a nossa camisa branca que a todos no mundo encanta e aos adversarios espanta. Desejo que faça muitos gols, dance muito ruque raque e comemore muitos campeonatos ao nosso lado. Seja bem vindo a Vila mais famosa do mundo, nos vemos lá
Abraços Edu