Dá uma sensação de autonomia frente ao mundo pegar um ônibus na capital de um outro país pra ir ver um jogo de Libertadores. Ainda mais se o vivente nasceu e foi criado no interior. De peito estufado, lá fui eu ver a resistência aborígine contra o Boca Juniors. Mas meu nome é Daniel Cassol e “indiada” devia ser meu nome do meio.
O jogo era no Para Uno, estádio do Olímpia, relativamente perto de casa. Meu anfitrião garantiu, por e-mail: “Si, es tranquilo. Tenes que tomar la línea tres en la iglesia”. Antes de sair, desdenhei do meu cérebro, que mandava olhar de novo o e-mail. Na parada de ônibus não tive dúvidas: peguei a linha TREZE e iniciei a viagem embriagado de confiança.
Quando desci do coletivo, na avenida Mariscal López como indicado pelo anfitrião, não havia o menor sinal de um jogo de futebol pelas redondezas. Perguntei a um passante, que me recomendou pegar um outro ônibus. Não acreditei na informação e segui adiante, a pé.
Devo ter caminhado uma meia hora. Passei pelo gigantesco cemitério da Recoleta e pela residência oficial do presidente. Para passar o tempo, ensaiava frases em espanhol para dirimir um eventual assaltante de seu intento. Quando já me dava por vencido e começava a procurar por um táxi pra voltar pra casa, fracassado, avisto no horizonte aquele clarão de estádio que tanto nos enche de emoção. Humilhado com a indiada, dei de cagalhão e fui de “preferenciales”.
No meu lado um casal me adotou, informacionalmente falando. Diziam quais jogadores estavam bem e lamentavam que houvesse uma crise interna no time justo agora que, finalmente, haviam chegado à Libertadores. Mas a informação mais importante que me deram é que o sósia de Valderrama, que se agitava a alguns metros da gente, era o padrasto de Júlio César Cáceres, zagueiro do Boca e orgulho do Paraguai.
Conversa vai, conversa vem, percebo que a arquibancada é tomada por um silêncio solene. É uma morena que vem subindo. Senhores, pensem numa morena. De parar o trânsito, ou melhor, de silenciar um estádio de futebol. Ela foi subindo, andando, flutuando entre as cadeiras de plástico, para sentar justamente ao lado dele, do Valderrama.
Foi um alvoroço pela volta. Os jovens formavam filas para bater fotos. Os vendedores de chipa chegavam a ir de dois em dois.
Sujeito de sorte esse Valderrama, eu pensaria. Mas sou jornalista, além de roubar canetas BIC eu sei interpretar um fato. Juntei os pontos e concluí que a morena em questão seria esposa ou namorada de Júlio César Cáceres.
E o Google confirma.

Senhores, digam olá para Glória Vera, a sra. Cáceres.
Pensei comigo: o cara que tem um pai igual ao Valderrama e pega uma morena dessas tem mesmo moral pra enfrentar o Riquelme. É muito suporte psicológico.
Mas bueno, isso foi o pré-jogo.
Em campo, o Guaraní ousou dar esperança à sua pequena hinchada ao comandar o primeiro tempo e sair vencendo com o gol do brasileiro Negreiros, uma que outra vez xingado de “sacoleiro” quando fazia algo errado.
Jonathan Fabbro fazia o que normalmente se espera de Riquelme, de um primeiro tempo meramente protocolar. Outro talento aurinegro era Julián Benítez, cujo potencial era desperdiçado por posicionar-se unicamente na faixa esquerda do ataque. E apesar de algumas ameaças, a dupla de ataque do Boca, formada por Mouche e GUSTAVO PAPA, não conseguia chegar ao peixe.
Para o segundo tempo, porém, todos sabiam que não seria fácil suportar a reação do Boca. Até porque no apito e nas bandeiras estava um trio que durante toda a primeira etapa foi extremamente benevolente com a equipe argentina. Consta, na internet, uma empresa de ESPELHOS com o mesmo nome do árbitro. Se for você mesmo, Enrique Osses, vai te enxergar.
O Boca voltou bem melhor, mas a pressão parecia estar sob controle, justamente pela pouca efetividade do ataque argentino. Mas aí, num lance besta em que o zagueiro podia ter espantado a bola, o senhor Osses viu um pênalti que, talvez contra outra equipe que não o Boca, não marcaria.
Riquelme fez então passar o primeiro boi. A partida reiniciou com Palermo e Palácio, que se encarregaram com o restante da boiada.
Com dor nas pernas, voltei pra casa de táxi.
Um abraço,
Daniel Cassol





Esta mesma morena causou furor entre os jornalistas gaúchos que cobriram os confrontos entre Grêmio e Olimpia em 2002 e 2003.
Como era o estádio? (se é que isso tem alguma importância depois deste relato dos familiares do Caceres)
e o que tu anda fazendo no Paraguai Cassol? Tramando um golpe de estado no Lugo?
Glória = ÚNICO nome possível pra essa mujer.
Sobre o jogo … que jogo ???
huaaaaaaaaa
muito massa cassol!
esse aí é o sósia do HERMETO PASCOAL, não do valderrama.
Mas sou jornalista, além de roubar canetas BIC eu sei interpretar um fato.
Acho que 90% dos profissionais são melhores em roubar canetas. Ainda bem que o Cassol está entre os restantes, belíssimo relato.
Essa morena tem uma irmã igualmente gostosa. Como o André K escreveu, ela causou sensação entre os jornalistas daqui. Por causa dela, o Mário Marcos de Souza chegou a fazer lobby para a Dupla contratar o Cáceres, mas ele acabou indo para o Galo.
Genial o relato, Cassol. Ver jogos em outros países = recomendo fortemente.
“É muito suporte psicológico.” melhor frase
cassol, usa mapas, cara. não me perdia lá pq sempre dava uma olhada nuns mapas da internet antes. acabou gastando uma grana… a gente assina isso aqui pros caras esbanjarem…
Mais um!
Textos do Cassol e do Douglas deveriam ser proibidos no mesmo dia.
Pena que não fiquei sabendo quanto deu o jogo.[Que jogo?]
Hlkjhdflsakjfhsdlak.
Cassol > REDAÇÃO INTEIRA DA THE NEW YORKER.
Diogo, no ImpedManual de (des)Redação, um dos primeiros MANDAMENTOS é “não informarás o resultado das partidas; para, isso há outros portais menos cotados”.
hhusdfhufsdhusdfh
Bah que massa. Só pra ver essa morena de perto vale a pena CAMINHAR até o Paraguai. Some-se ao sensacional apelido de sacoleiro e um joguinho que já me parecem umas boas férias.
Contra o Boca um time tem que entrar em campo sabendo que tem que contar que ou vão te expulsar um cara, deixar o boca fazer gol impedido ou aquele penalti amigo pro Riquelme bater.
Reclamar mesmo só quando rolar os três no mesmo tempo regulamentar.
deus
http://www.angelfire.com/me/Modelosparaguayas/ca1.html
Obrigado, angelfire; obrigado, paraguaias; obrigado, sacoleiras do meu Brasil (ns).
Bah show de buela o texto pra variar.
Cara eu fui ao jogo Libertad x Inter em 2006 no Defensores Del Chaco pela semi da Libertadores. Fomos em 5 caras de carro aqui de POA.
Tirando os “cafezinhos” deixados para a Policia paraguaia, a viagem foi muito bala, valeu muito a pena ir a um estádio “internacional”.
Quanto à morena, mel dels…
Cassol campeão de tudo.
Sobre o que é o post? A GLÓRIA não me deixa rolar a página…
Texto?
ver jogos em outros países (e até em outros estados, quando o jogo é muito aleatório) é realmente muito afudê. Eu me nego a conhecer estádios vazios, os famosos tour sem graça e sem alma, tem que ser em dia de jogo.
Ah, fiz um vídeozinho ontem, intitulado “Um Zagueiro Selvagem”:
Foi 3 a 1, galera, é só contar ali nas entrelinhas do texto. Se a Glória deixar, é claro.
Ela tem irma? Quero links.
Com esse vídeo aí do Leo Garcia, fechem a internet.
#17:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
Só eu achei o cara do meio da foto dos jogadores do rival da Ponte Preta a CARA e FOCINHO do Aristizabal?
JÁ EXPLICANDO que só notei a semelhança na foto depois de olhar por uns 30 minutos a foto da Senhora Cáceres
Muito bacana o relato.
Cassol, eu vi o jogo pela tv. Tive a (talvez falsa) impressão que a torcida do Boca esteve presente em número superior à local. Confere?
Gostei do Fabro. Em um time ajeitadinho e com parceria à altura, o cara destruiria as defesas adversárias.
Muito bacana o relato.
Cassol, eu vi o jogo pela tv. Tive a (talvez falsa) impressão que a torcida do Boca esteve presente em número superior à local. Confere?
Gostei do Fabro. Em um time ajeitadinho e com parceria à altura, o cara destruiria as defesas adversárias.
Video idiota.
falha nossa.
Bah, nunca mais na minha vida vou ver vídeo nenhum. Léo Garcia djenho.
corneta meter: 1
Filha da puta, tive que rir do video postado.
O que o Caceres pensa para ainda ficar em concentrações cheia de homens barbados e peludos tendo uma mulher daquelas em casa. No “sitio” com as fotos de modelos paraguaias, há uma foto da sra. Caceres de joelhos numa praia que faz todo cidadão “honesto e cumpridor dos seus deveres” amaldiçoar Deus por não poder ser jogador de futebol e ter uma mulher dessas.
#18
Alicia Vera, Miss Tanga 2001:
http://2.bp.blogspot.com/_7eZKWaSlzmE/SMVSMKhGNJI/AAAAAAAAARM/q0aHgySBjgQ/s1600-h/alicia-vera.jpg
a melhor parte é a hora que ele grita
“FICA CELSO ROTH”
o resto achei meio sem graça, coligay, são caetano, etc…
a melhor parte é a hora que ele grita
“FICA CELSO ROTH” (2)
a melhor parte é a hora que ele grita
“FICA CELSO ROTH”
(2)
gustavo não tem POESIA no coração.
hahaha o cassol eh o melhor daqui…
Mto bom, de novo…
adEmito. Bom vídeo.
E viva as indiadas!!!
E dava pra tomar cerveja paraguaia no estádio?
Tiago,
quando estive lá em 2006 não vendiam bebida alcoolica no estadio, nao sei se hoje é assim, aí o nosso escritor pode responder heheheheh
Eles passavam gritando “gaseosa gaseossaa”, “gaseosa gaseossaa”, era muito irritante hahaha
Só gaseosa mesmo, nada de birita.
E a torcida do Boca estava em bom número, mas era bem inferior. Ocupava os fundos de uma goleira e uma parte do setor de cadeiras. E só começaram a cantar, mesmo, quando o time virou.
Ah, sem falar na chipa, citada pelo digníssimo autor hehehe
Mas tudo perde a importância em função da morena aí da foto hahahah
EL GLORIOSO CLUB NACIONAL DE FOOTBALL
RECIBE A RIVER PLATE, EL CLUB MIMADO DE LOS
ÁRBITROS SERVILES Y LADRONES COMO HÉBERT
LOPES, ERIK BANDEIRA, LEONARDO GACIBA,
SIN ELLOS NO LES PUEDEN GANAR A NADIE…
RIVER PLATE YA ES FAMOSO EN TODA AMÉRICA
POR SER “EL CLUB TRAMPOSO”, QUE ROBA LOS PARTIDOS ASÍ COMO A ¡NACIONAL! CON EL
GOL DE LA DOBLE FALTA NO COBRADA
FUERZA HERMANOS TRICOLORES!!
REIVINDIQUEN LA AFRENTA RECIBIDA POR
LA NOBLE FAMILIA NACIONALÓFILA DE LOS HERMANOS GEMELOS EN EL 1-0 LADRÓN!!
Esse Jonathan Fabbro jogou no Galo em 2004 ou 2005. Foi o PIOR gringo que vi com a camisa do Atlético, e a concorrência nesse quesito é bem pesada…
Poder ser. Ontem achei que ele jogou bem.
É o mesmo que perdeu pênalti que daria o título mundial ao Once Caldas
Luz, o jogo de hoje não é do Nacional Querido. É da cópia charrua, rsrsrsrs.
“Declarações de Krieger sobre esquema 3-6-1 causam polêmica
Sala de Redação repercute informação de que diretor discutiu mudança com Celso Roth”
Mas agora até o que jornalista diz vira notícia. Vão capinar um pátio.
Dá uma sensação de AUTONOMIA frente ao mundo pegar um ônibus na capital de UM OUTRO PAÍS.
Ah pára, Cassol.
O que acontecerá quando assistires a um jogo em Paris, Istambul, ou Londres? O que dizer, então, de quando atravessar a rua em Santana do Livramento?
Diogo sempre tem uma palavra amiga pra nos brindar.
e xq vcs nao viram a mulher do raul roman do nacional querido…ROSANA BARRIOS…..
Relaxa, Cassol! Ao menos ele admitiu que HOJE ele riu de um vídeo.
Vamos comemorar!
TREMENDO ROBO A GUARANI, HAY UNA MAFIA DE ARBITROS, DEBERIAN MANDARLOS PRESOS Y CORTARLE LOS TESTICULOS A ESTOS INFELICES DE MIERCOLES…
Uma imagem fala mais que mil palavras:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Figueirense/0,,MUL1050244-9864,00-FOTO+JAIRO+TREINA+DE+VESTIDO+ROSA+COMO+CASTIGO+ADOTADO+POR+ROBERTO+FERNANDE.html
#53
HHUUUAUAAUUAUAUHUAHUAHUHAUHAUHAUHAUHA
49.
Que é isso Cassol.
Veja bem, só estou dizendo que você ainda vai longe.
Desde que continue como correpondente do Impedimento, é claro.
nossa… faz isso no são paulo o bicharlyson nunca mais treina bem
# 31
Obrigado.
Salve a familia VERA … Gloria e Alicia.
Haahahhahahahah…Sensacional o vídeo. Sensacional o relato. Alguém tem um adjetivo melhor que sensacional p/ as modelos?
tive uma ótima impressão do povo paraguaio naquele jogo de 2006, por que lá pelas tantas fui no banheiro e me perdi. Parei no meio da torcida do Libertad, recebi uns xingamentos, umas risadas e me indicaram o caminho certo.
Excelente texto.
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E eu ainda pensei umas 4 vezes antes de seguir o link do video do Leo Garcia…”Será que vale o desgaste línquico?” JAMAIS me negarei a seguir um link na minha vida. Juro.
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Minha única experiência em estádio fora do Brasil foi péssima pelo resultado e excelente pelo clima do estádio:
Centenário lotado na Copa América 95, na final que o Brasil perdeu.
Os uruguaios estavam LOUCOS, e foi a primeira vez que escutei o agora já adaptado canto “sentimiento no puedo parar…ole ole ola, cada dia te quiero más…”
Cassol, eu entendo o que tu queres dizer com o lance da “sensação de autonomia”. E concordo contigo.
Só não foi dez porque o Cassol não pediu pra GLORIA tirar uma foto dele com o Valderrama daqui a 30 anos…
Amigo: a dupla de ataque desse jogo foi Mouche y Luciano Figueroa (esse msm da foto), Gustavo Papa é jogador de outro time. Ate.