El rey del metro cuadrado

Depois de conceder a merecida glória a Carlos Caszely, o primeiro expulso por cartão vermelho em Copas, fui investigar a vida do herói. Mas não foi uma investigação de subir em ônibus e bisbilhotar residências. Não sujei os sapatos. Trata-se de uma espionagem mudérrna e sem grana, daquelas que utilizam basicamente sites e Youtube.

Assim descobri – e me envergonhei de já não saber – que o bigodudo é um dos maiores jogadores do Colo Colo e de seu país. Mais do que isto, é um daqueles personagens complexos que por vezes o futebol nos proporciona. Viveu momentos de incontida euforia e sucesso, mas também desilusões que o marcaram para o resto da vida. Estes momentos somados ao fato de se opor a Pinochet, sendo inclusive proibido de jogar no Chile, e ao pioneirismo em cartão vermelho, o tornam dono de uma biografia a ser respeitada.

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Mártir

Caszely estreou pelo Colo Colo em 1967. Ponta-direita de coração, mostrava-se extremamente impetuoso e fominha, deixando os torcedores mais velhos de cabelo em pé quando não passava a bola para os companheiros ou perdia gols incríveis por enfeitar as jogadas. Apesar destes deslizes juvenis, segundo o site do clube, é tido por muitos como”el jugador más popular y querido de la historia alba”, mesmo sendo um tipo “desenfadado, sin pelos en la lengua”.

Em 1969, torna-se titular, mas em 1971 sofre uma grave lesão que o afasta das canchas. No ano seguinte, o técnico Luis Álamos delega a ele o posto de capitão da equipe alba. Com tal responsabilidade, mais maduro e com o bigode mais encorpado, Caszely consegue demonstrar todo seu jogo, tornando-se o principal destaque de uma das maiores equipes que o Chile viu atuar, o Colo Colo de 1972/73.

Na Copa Libertadores de 1973 ajudou o time chileno a chegar na final da competição, perdendo o título para o Independiente. Além disso, foi o artilheiro do torneio, única vez que um chileno alcançou tal posição. Uma prova de sua qualidade pode ser vista neste gol antológico, em que a modéstia foi mandada para os ares e ele entrou pelo gol chutando goleiro, bola e rede. Como bem observou Cassol, “é exatamente o mesmo ímpeto que ele mostra na expulsão contra a Alemanha em 1974, era uma característica do jogador”.

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El bigotillo infalible

No entanto, devido a seu temperamento forte e a posicionamento esquerdista, foi impedido de jogar no país então comandado pelo ditador Pinochet. Acabou transferido para a Espanha, onde atuou por Levante e Espanhol e recebeu o apelido de GERENTE. Em 1979, voltou com todo gás ao Colo Colo, vencendo a liga nacional por três vezes e consagrando-se máximo artilheiro em três oportunidades. Na Copa América de 1979, Caszely marcou de cabeça o gol que ajudou a levar os chilenos à final da competição, eliminando o Peru. Na final, perderam para o Paraguai.

Mas El rey del metro cuadrado, outro apelido que recebeu devido à extrema habilidade em espaços reduzidos, também falhou em momentos cabais. Mundial de 82, a Roja joga contra a Áustria. Caszely liga o turbo do bigode e dispara pela esquerda, invadindo a área e sofrendo penal. Ele mesmo prepara-se para a cobrança, toma distância, ergue a vistosa bigodeira, corre. E erra. Era o primeiro jogo dos chilenos, que não somaram qualquer ponto e acabaram em último lugar numa chave que contava com Alemanha e ALGÉRIA.

Como acontece dentro do campo e na vida, é provável que Caszely, quando se lembre da carreira, não pense primeiro nos golaços e nos momentos de alegria que viveu pelo histórico Colo Colo e pela seleção, mas sim na bola passando ao lado da trave contra os austríacos. Inclusive, anos mais tarde, ele e Koncilia, goleiro da Áustria na ocasião, tiveram a oportunidade de se encontrar novamente. No entanto, sua importância para os albos e para a Roja, como sabemos a partir de agora, é inquestionável.

Títulos

5 vezes campeão chileno pelo Colo Colo, em 1970, 72, 79, 81 e 83.
Vice-campeão da Copa América em 1979.
Vice-campeão da Copa Libertadores pelo Colo Colo em 1973.
3 vezes goleador chileno pelo Colo Colo, 1979, 1980 e 1981

Artilharia

Marcou 171 gols em campeonatos nacionais. Pela Roja, jogou 73 partidas, chegando às redes em 29 vezes. Na carreira inteira, apresenta a incrível soma de 805.

Trajetória

Colo Colo, 1969 a 1973.
Levante, 1973/74.
Espanyol, 1974.
Colo Colo, 1979 a 1984.

Saudações
Douglas Ceconello.

Publicado em Colunas. ligação permanente.

0 Respostas a El rey del metro cuadrado

  1. Caszely foi um grande jogador, mas procure por Luis Cubilla, um outro baixinho, ainda mais gordinho que o chileno…

    Também foi notável.

  2. Flávio diz:

    Luis Cubilla era uruguaio, ponta-direita. O grande nome da Celeste nos anos 60 e 70, ao lado de Pedro Rocha.

  3. Argélia, por alá.

    E, pô, como não conheciam o baixinho? É o segundo maior jogador da história chilena — só perde para um tal Don…

  4. Luís Felipe diz:

    se ele marcou 171 gols em campeonatos nacionais, COMO ele tem 805 na carreira?!? Marcou 600 gols em treinos?

    Acho que ele foi precursor do Romário…

  5. FERN diz:

    nada não LF, Santiago no futebol é apenas um Rio de Janeiro mais FRIO

  6. Flávio diz:

    Bah… Essas estatísticas são furadíssimas… Na Europa, dizem que se fossem computados gols marcados em amistosos, Gerd Müller e o tcheco-austríaco Josef Bican teriam mais gols que Pelé. Aliás, em jogos oficiais, o Baixinho marcou mais que o Rei.

  7. Lila diz:

    SHORTS MENORES = FUTEBOL MELHOR.

  8. dante diz:

    bá, a lila não deixa passar nem os gordinhos de bigode.

    dá-le!

    sfçlsaflçfds~d

  9. Anônimo diz:

    uma boa história é feita assim mesmo, com uma dose farta de derrota.

    caszley e zico que o digam…

  10. Beto Borracho diz:

    Se o Zico é derrotado, o que sobra para o resto?

    A única coisa boa do ‘futebol moderno’ é o calção/bermuda, aqueles antigos da adidas eram ridículos….tinha um time na cachoeirinha que usava camisa azul (itália) e calção branco, a gurizada apelidou de ‘os smurfs’…o alemão-cabeludo-centromédio ficou como smurfete!

  11. Lila diz:

    E olha que só falei que o futebol era melhor quando o short era menor…

    Enfim, a maioria dos jogadores é mais feia do que encoxar a mãe no tanque. Mas trabalham o corpo e ficam, em sua maioria, com uns PUTA PERNÕES, e alguns abençoados por Deus, ainda descolam uma derrière delícia e um abdome sensacional. Pra quê esconder isso? Bróder quem quer ver JOELHO?

    eu, unindo o útil ao agradável desde os anos 80.

  12. m diz:

    achei massa a camisa da adidas e o short da puma. vai ver o colo-colo só dava a jaqueta, o resto o cara tinha que levar.

  13. Flávio diz:

    Falando em fardamentos bizarros, quando jogava no Grêmio, Emerson Leão usava um uniforme da Adidas, enquanto os jogadores de linha trajavam Olympikus.

  14. fino diz:

    Lila>Fernanda Abreu

  15. douglasceconello diz:

    Francisco, não adiantou eu me humilhar dizendo que me envergonhava de não conhecer o nobre Caszely? Precisa ficar expondo MEUS OSSOS na rua? duhdsuf

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